quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Jovem e bebê morrem no Pará

“Na noite do dia 24 de dezembro de 2012 uma jovem de 18 anos, grávida e pobre, moradora do bairro do PAAR, no município de Ananindeua-PA, em sinais de trabalho de parto, busca atendimento em uma clínica próximo à sua residência, denominada Clínica Modelo, localizada na Cidade Nova III. A jovem havia feito todo o pré - natal na Unidade de Referência Materno Infantil e seguia com a gravidez tranquila, obedecendo às orientações recebidas durante as consultas de rotina. Jamais poderíamos imaginar o que viria a acontecer. A futura mamãe foi internada e ficou sabendo que estava chegando a hora de sua primeira filha nascer. Logo teria início o seu suplício, pois apresentava sinais de que possivelmente não teria condições de ter parto normal, ou mesmo que ainda não havia chegado a hora do nascimento. Mesmo assim, foi submetida a vários procedimentos, como empurrar a barriga da mãe, tendo a médica forçado o nascimento do bebê, até que constatou a gravidade do momento, pois observou a morte do bebê e viu que a mãe também corria risco de morte. Nesse momento, a médica chamou o pai da criança e pediu que ele a acompanhasse até a Santa Casa de Misericórdia do Para, junto com a parturiente em carro particular, emprestado de um servidor do hospital. Ao chegar à maternidade, deixou a jovem aos cuidados da equipe que estava de plantão. A jovem foi bem atendida na Santa Casa, mas, infelizmente, nada mais podia ser feito, pois a criança já estava morta e a mãe, mesmo encaminhada com urgência para o CTI, tinha hemorragia muito forte, vindo a óbito logo depois. O atestado de óbito definiu como causa morte: choque hemorrágico, histerectomia por laceração uterina, cesariana por óbito fetal intra uterino. Neste trágico episódio, tivemos duas vidas ceifadas por um ato irresponsável de uma pessoa que não pode ser considerada médica. O nome de quem fez o atendimento é Vania e atende na Clínica Modelo. Pelas informações colhidas até o momento, ficamos sabendo que esta clínica já foi fechada por denúncias de desrespeito a vida e falta de condições hospitalares. Registramos uma ocorrência policial na Delegacia da Cidade Nova e aguardaremos as investigações. Diante dessa tragédia familiar nos perguntamos: Que tipo de atendimento recebeu essa jovem que levou a óbito sua filha, ainda no ventre? Que procedimentos foram dispensados à mãe para forçar um parto normal, quando a gravidez era sem riscos? Se o parto normal estava difícil, como foi alegado à família, porque não foi feita uma cesariana de urgência? Porque a médica fez o transporte da paciente até à maternidade Santa Casa de Misericórdia do Pará em carro particular? Porque o hospital não acionou uma ambulância? Quem vai responder por mais esta situação de desrespeito à vida? Como fica a família diante de uma violência contra a vida de duas pessoas, sendo um, recém-nascido e uma jovem de apenas 18 anos? Pedimos que o Conselho Regional de Medicina, o Ministério Público, a Secretaria Estadual de Saúde e os órgãos competentes tomem providências para apurar as responsabilidades diante dessas mortes inexplicáveis. Queremos justiça, chega de desrespeito à vida! Nossos contatos: Nazaré Sá (tia da jovem) – 91239131/ 81750053 Lena (irmã) 92198229”

Caos na rede municipal de saúde do Rio de Janeiro pode se agravar na virada do ano

sábado, 15 de dezembro de 2012

Saiba por que a Grã-Bretanha tem um dos melhores sistemas de saúde

Segundo a OMS, enquanto no Brasil apenas 44% dos gastos com a saúde são bancados pelos cofres públicos, na Grã-Bretanha o governo chega a cobrir 83% das despesas médicas e hospitalares.
O Jornal Nacional está apresentando, nesta semana, uma série de reportagens sobre a formação dos médicos no Brasil, mas nesta quinta-feira (13) o assunto é o ensino de medicina na Grã-Bretanha: um país que tem um dos melhores sistemas públicos de saúde do mundo.
O laboratório é a sala de aula. Nenhum aluno se forma em medicina na Grã-Bretanha sem fazer muita, muita pesquisa. Por isso, todas as universidades do país investem pesado em tecnologia de ponta.
O professor Gerome Breen, do laboratório de psiquiatria da universidade King's College, explica que faculdades e hospitais trabalham integrados no local, e o aluno pesquisa e pratica desde o primeiro dia de aula. Assim, segundo ele, quando o estudante termina o curso, é mais do que um simples médico, é um jovem cientista. E o mais importante: já está empregado.
Todos os médicos no país, quando deixam a universidade, trabalham para o NHS, sigla inglesa que define o sistema nacional hospitalar, equivalente ao SUS no Brasil. Só que o NHS é considerado o melhor sistema de saúde pública do mundo. Permite que os profissionais continuem estudando, se aprimorando. Paga bem. E o mais importante: é o mesmo salário para quem trabalha na capital, Londres, em uma cidade de porte médio ou em um pequeno município isolado. Assim, há bons médicos espalhados por todo o país.
No NHS os salários começam na faixa equivalente a R$ 15 mil por mês. No topo da carreira, por volta dos 40 anos de idade, o médico chega a ganhar R$ 40 mil mensais. Com salários equiparados, muitos até preferem ir para o interior, onde o custo de vida é mais baixo e dá para fazer mais economia.
“Para mim não faz nenhuma diferença trabalhar na capital ou no interior”, diz um estudante. “Longe dos grandes centros pode ser desafiador, uma boa oportunidade para desenvolver algo novo”, conclui.
Professores e estudantes destacam outra característica decisiva do ensino na Grã-Bretanha. No lugar só existem 31 faculdades de medicina para uma população de 60 milhões de habitantes.
“Qualidade não tem nada a ver com quantidade”, garante o professor Breen. Segundo ele, o importante é ter bons e não muitos profissionais, nem sempre à altura do que o cargo exige.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), na Grã-Bretanha tem quase três médicos para cada mil habitantes, e praticamente não há filas nos postos e nem nos hospitais.
Ainda segundo a OMS, enquanto no Brasil apenas 44% dos gastos com a saúde são bancados pelos cofres públicos, na Grã-Bretanha o governo chega a cobrir 83% das despesas médicas e hospitalares.
São poucos os profissionais que arriscam trocar o garantido NHS pelo cada vez mais competitivo sistema privado. Em Londres, os médicos particulares têm endereço nobre, Harley Street. Nessa rua de dois quilômetros, com clínicas dos dois lados, o Jornal Nacional encontrou o Dr. Milton Maltz. Há 33 anos, recém-formado, ele saiu do Rio Grande do Sul para se especializar em cardiologia em uma das melhores universidades de Londres. Graças às notas, foi convidado a ficar. Depois de 20 anos trabalhando para o NHS, arriscou-se na medicina privada. Mas nem por isso tem vida fácil.
''Eu tenho que fazer 50 horas por ano de estudos, tenho que ir para aulas, sou testado todos os anos pela Comunidade Médica de Londres. Você até tem que pegar referência do banco que você tem conta”, detalha ele.
Um sistema de saúde onde todo médico faz questão de trabalhar, e que serve de exemplo para o mundo. Honesto, eficiente, sobretudo, saudável.
fonte G1 Veja a reportagem no link abaixo:

http://glo.bo/UEzsQv

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Bebê sofre queimaduras por erro hospitalar em SP

http://www.band.com.br/jornaldaband/conteudo.asp?ID=100000560592

Fonte:Jornal da band.

Um bebê recém-nascido sofreu queimaduras graves por causa do erro de uma enfermeira em posto de saúde em Mauá, na Grande São Paulo. O medicamento usado para cicatrizar o umbigo se espalhou pelo corpo da criança e provocou ferimentos

Maria Eduarda, de apenas 14 dias, ficou com uma queimadura extensa que vai da barriga até a perna. Quando tinha seis dias de vida, por recomendação médica, uma enfermeira aplicou nitrato de prata em bastão para cauterizar o umbigo da criança.

A mãe acompanhou o procedimento, que deveria se repetir por uma semana. Na segunda aplicação, no entanto, algo deu errado e a menina chegou em casa com a queimadura.

A Secretaria de Saúde do município abriu processo administrativo para apurar o erro. A enfermeira foi afastada até a conclusão da investigação.

Investimento em tecnologia com professores dedicados diferencia faculdades de medicina

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Treze mil médicos são diplomados ao ano, mas faltam profissionais

O Jornal Nacional mostrou, na semana passada, que mais da metade dos recém-formados nas faculdades de medicina de São Paulo foi reprovada num exame do conselho regional da categoria. Nesta semana, o Jornal Nacional vai apresentar uma série de reportagens sobre a formação dos médicos no Brasil. Um país em que a maioria dos estados ainda carece de profissionais.
A cada ano no Brasil quase 13 mil alunos se formam em medicina segundo o Ministério da Educação. Mas, às vezes quando mais se precisa de um médico, ele não está lá. Mesmo numa cidade como São Paulo.
Temos no país 371 mil médicos e o problema, segundo a categoria, não é a falta, mas a má distribuição deles.
“Há uma concentração excessiva nas capitais e no litoral. Veja que na Região Sul, Sudeste, nos temos 70, em torno de 70% dos médicos do país. E na região Norte, temos o menor numero de médicos e, assim mesmo, uma grande maioria concentrado nas capitais”, afirmou Roberto D'ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina.
O governo discorda, diz que faltam sim médicos no Brasil e critica as entidades de classe.
“Sob o pretexto que não é possível formar com qualidade, não apoiam a formação de novos médicos. Nós temos é que buscar garantir a qualidade, mas faltam médicos no Brasil”, ressaltou Aloizio Mercadante, ministro da Educação.
O ministro mira em países como Portugal e Argentina, que tem mais de três médicos por mil habitantes. Por aqui os números variam, mas temos menos que dois por mil.
Para chegar a 2,5 em 2020, foi criado o Plano Nacional de Educação Médica, lançado em agosto de 2011 durante a inauguração de uma nova faculdade em Garanhuns, Pernambuco.
“O nosso objetivo é aumentar em 4,5 mil o numero de médicos formados ao ano. E também interiorizar os cursos de medicina, mantendo um elevado padrão de qualidade”, disse Dilma Rousseff na ocasião.
Passar numa boa faculdade pública de medicina é um grande desafio. Em Garanhuns, no agreste de Pernambuco, não é diferente. No primeiro vestibular, cada vaga foi disputada por 56 candidatos. Quem passou só não sabia que depois teria que fazer muito mais do que estudar.
Logo de cara, eles fizeram greve para conseguir um laboratório, mas ainda falta de tudo: cadáveres para o estudo de anatomia? Não tem. A biblioteca? Não está completa. É um não atrás do outro. Laboratório de Habilidades? Não tem ainda. Biotério? Pesquisa? Também não. O que deveria ser um hospital-escola. Também não é.
“Esse hospital não tem condições de receber o estudante de medicina devido à falta de profissionais”, disse Carlos Roberto de Fraga, presidente do Centro Acadêmico.
O diretor da faculdade reconhece que a correria não ajudou.
“Nós tivemos 6 meses pra estruturação, vamos dizer assim, dessa parte inicial e aí atrasou o edital do concurso”, afirmou Pedro Falcão, diretor da Faculdade de Medicina de Garanhuns.
Com professores temporários, sem a necessária dedicação exclusiva, os alunos temem pelo futuro do curso, que é uma extensão da universidade estadual.
Há 20 anos o Brasil tinha 83, hoje tem 197 faculdades de medicina. É mais que Estados Unidos, que a China. No mundo só perdemos para a índia que tem 272 escolas médicas.
A expansão foi sentida por faculdades particulares tradicionais como a Gama Filho, do Rio de Janeiro, que alega ter perdido espaço no mercado, a chance de ter mais alunos, diante da proliferação de faculdades privadas mais baratas e de acesso mais fácil.
“Nós tivemos o problema da crise de concorrência no mercado, concorrência predatória. O impacto foi muito violento, foi muito forte”, revelou Gilberto Chaves, pró-reitor de saúde da Universidade Gama Filho.
O impacto foi sentido na Santa Casa, que é o hospital conveniado, onde há mais de 40 anos os alunos da Gama Filho aprendem toda a parte prática do curso. Para cortar gastos, 140 professores da Gama Filho, que eram também médicos da Santa Casa. foram demitidos.
No meio de enfermaria, uma aula reúne alunos de vários períodos. Essa é a união da medicina teórica com a prática. Uma cena que deveria se repetir várias vezes por dia, na Santa Casa do Rio de Janeiro. Mas não é o que acontece
Para que pacientes e alunos não fossem totalmente abandonados, 40 médicos permaneceram dando aula de graça.

http://glo.bo/X25PJ0

FONTE  G1:

Série mostra os erros médicos no Brasil

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Exame da Cremesp 2012 reprova mais da metade dos recém-formados em Medicina

Exame da Cremesp 2012 reprova mais da metade dos recém-formados em Medicina

Resultados divulgados nesta quinta-feira, 6, mostram que 54,5% dos estudantes avaliados não acertaram mais de 60% das questões. Avaliação foi boicotada por egressos da Unicamp

André Carvalho- iG São Paulo |
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) divulgou nesta quinta-feira, 6, os resultados do exame destinado a estudantes recém-formados em cursos de medicina no Estado de São Paulo. Realizada desde 2005, a prova era opcional até o ano passado e, pela primeira vez, foi realizada de forma obrigatória.
Dos 2.943 estudantes recém-formados inscritos, 71 não compareceram (2,4 %), 347 se formaram em outro Estado (11,7%) e outros 114 (3,8 %) boicotaram a prova, assinalando em todas as questões a letra “b” ou apresentando respostas inconsistentes. Foram considerados válidos, então, 2.411 exames (81,9 % do total). Apesar do caráter obrigatório da prova, o não comparecimento – e o boicote -, não impedem os estudantes de obterem o registro profissional.
O resultado do exame mostra que mais da metade dos estudantes avaliados, ou 54,5%, foram reprovados, ou seja, não acertaram mais do que 60% das questões. A prova continha 120 questões das seguintes áreas de conhecimento: Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Pediatria, Ginecologia, Obstetrícia, Saúde Mental, Epidemiologia, Ciências Básicas e Bioética.
Para Renato Azevedo Jr., presidente do Cremesp, o resultado do exame é preocupante. “Quem não acertou 60% da prova tem graves problemas na formação e terão problemas no atendimento médico”. Bráulio Luna Filho, coordenador do exame, avalia como “lamentável” os resultados.
Áreas consideradas cruciais para a prática da medicina tiveram média geral de acerto abaixo dos 60%, como Clínica Médica (53,1%) e Saúde Pública (46,1%). Outras áreas de conhecimento avaliadas tiveram as seguintes médias de acerto: Saúde Mental (41%), Pediatria (55,5%), Ginecologia (55,4%), Ciências Básicas (61%), Obstetricía (63,1%), Clínica Cirúrgica (66,7%) e Bioética (66,9%). Os estudantes de faculdades públicas tiveram um índice de acerto de 63,74% de acertos, ao passo que os alunos de instituições de ensino privadas alcançaram um índice de 54,38%.
Em 2010:Prova prática para formados em medicina reprova 68% Em 2011:46% dos formandos não passam em teste do Conselho em SP
Os alunos receberão, confidencialmente, os resultados de seus exames e as universidades, os dados gerais de seus estudantes avaliados, sendo preservada a identidade dos alunos. Não haverá um ranqueamento das instituições que participaram da prova. “Vamos às escolas, conversar, para podermos avaliar como melhorar os cursos. Também iremos enviar um relatório ao Ministério da Educação”, afirma Rento Azevedo. Para ele, é função do MEC, acompanhar e avaliar os estudantes, durante a graduação.
Os alunos que faltaram à prova poderão se justificar e realizar o exame no próximo ano. De acordo com Reinaldo Ayer, coordenador do exame, até a presente data, apenas 2 candidatos dos 71 ausentes ainda não apresentaram uma desculpa formal para o não comparecimento. Segundo ele, caso um aluno não se justifique e não compareça ao exame no ano seguinte, há a possibilidade dele não obter o registro. Já os recém-formados que boicotaram o exame obterão o registro, mas apenas no dia 31 de janeiro, após terem analisados cada caso de forma particular.
O presidente do Cremesp afirma que “um médico recém-formado que tem como a primeira atitude boicotar um exame já começa errando”, completando que o baixo índice de estudantes que boicotaram a prova mostra que tal atitude foi um “fracasso”. Ele afirma, ainda, que não existe uma lei no Brasil que permita que uma avalição barre o registro de novos médicos, tal qual acontece com o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - há um Projeto de Lei do Senado, (PLS) 217/2004, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC), que propõe a instituição do Exame Nacional de Proficiência em Medicina como requisito para o exercício da profissão.
Bráulio Luna é mais enfático nas críticas. “Quem boicota a prova faz parte de uma elite que se recusa a ser avaliada”, afirma. “São pessoas egoístas, que não querem colaborar para a melhoria do ensino de medicina no país”.
O outro lado
Presentes na sede do Cremesp para uma audiência com o presidente Renato Azevedo, estudantes da Unicamp reafirmaram a posição de boicotar o exame.
Elaine Vieira, recém-formada pela Unicamp, boicotou a prova, assinalando a letra “B” em todas as questões, mas respondeu, para sua própria avaliação, as questões, acertando 74% delas. Ela afirma que a “avaliação foi mal elaborada” e não testou a instituição e as competências do médico, “balizando o indivíduo”.
Boicote:Estudantes da Unicamp protestam contra Cremesp
Vieira afirma que “é papel do MEC, e não do Cremesp, avaliar os estudantes que se formam em Medicina”, ressaltando que o ideal seria um teste que avaliasse o aluno ao longo do curso, e não apenas ao término dele.
O estudante do 3º ano da mesma universidade, André Palma, concorda com Vieira. “Queremos uma prova semelhante ao teste progresso, que avalie também o corpo docente e a infra-estrutura da universidade”.
Para ele, o atraso na liberação do registro médico é uma clara punição aos estudantes que boicotaram a prova. Ele afirma que a reunião realizada nesta quinta, após a divulgação dos resultados da avaliação, tem por objetivo “agilizar a liberação da papelada”.

fonte:IG SP

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ministro anuncia contratação de hospitais particulares para atender pacientes de emergências públicas do Rio

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assina hoje uma portaria que garante verba ao estado e ao município do Rio para contratação de 160 leitos de enfermaria e 65 de UTI em hospitais privados e filantrópicos. Essas vagas serão ocupadas por pacientes atendidos em emergências. O objetivo é acelerar a transferência após a estabilização do doente, liberando os leitos de emergência. A medida faz parte do programa S.O.S. Emergência que, há um ano, vem implementando ações nos hospitais municipal Miguel Couto, na Gávea, e no estadual Albert Schweitzer, em Realengo.
No hospital da Gávea, o número de pacientes que procuram diariamente a emergência caiu de 1.100, em 2009, para 400, em março deste ano. A abertura de UPAs e Clínicas da Família na região ajudaram a reduzir a demanda, segundo o diretor do Miguel Couto, Luiz Alexandre Essinger. E, há quatro meses, desde a inauguração da Coordenação de Emergência Regional (CER), vizinha ao hospital, todos os casos clínicos são atendidos na nova unidade.
- Nossa emergência recebe hoje apenas doentes cirúrgicos, vítimas de traumas. A média caiu para 250 ao dia - diz Essinger.
Um dos principais problemas apontados pelo Cremerj e pelo Sindicato dos Médicos nas emergências do Rio, no entanto, não foi atacado pelo programa de ajuda federal. De acordo com o diretor do Miguel Couto, a verba disponibilizada pelo S.O.S. Emergência não pode ser destinada à contratação de médicos e pessoal de enfermagem para a unidade.
- Foram instaladas câmeras digitais de segurança que permitem ao Ministério da Saúde um monitoramento 24 horas, adquirimos equipamentos e camas elétricas, estamos implementando um sistema de informática que mede o tempo de espera para atendimento, para exames e para alta e vamos começar agora a mudar a gerência de estoque de farmácia. Fizemos um levantamento do que era necessário e a verba é depositada no Fundo Municipal de Saúde. A Secretaria municipal de Saúde faz as licitações e compra os equipamentos. Mas a verba não pode ser usada para contratar médicos - explica Essinger.
Padilha, no entanto, afirma que essa decisão é tomada pelo gestor local, no caso, a prefeitura.
- O S.O.S. Emergência é uma mudança na cultura e no consenso de como se organiza um serviço de urgência e emergência. O gestor identifica onde estão os principais problemas que atrapalham o fluxo na emergência, e pode, se julgar necessário, contratar para suprir a mão de obra nesse gargalo. É o que chamamos de equipe horizontal. Chefiada por um médico, essa equipe acompanha os pacientes que estão em observação, acelerando o fluxo de atendimento e a alta médica. O gestor tem essa autonomia. Se achar necessário, pode promover concurso público. Fica a critério dele - enfatiza o ministro.
De acordo com o ministério, o Miguel Couto já conta com 48 leitos de retaguarda - sendo 15 de UTI - para dar suporte à emergência. Ao todo, a unidade possui 436 leitos, sendo 53 de urgência. Os recursos destinados pelo governo federal ao S.O.S. Emergências somam R$ 3,6 milhões anuais para custear a ampliação e qualificação da assistência da emergência, e mais R$ 200 mil para apoio à informatização. Além disso, o Miguel Couto receberá mais R$ 4 milhões para aquisição de equipamentos. Ao todo, o hospital recebeu R$ 7,8 milhões de recursos para garantir a assistência e ampliação dos serviços.
Demissões na CER do Miguel Couto
Inaugurada em julho com a presença da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a CER do Miguel Couto foi planejada com a estimativa de realizar 600 atendimentos por dia. A nova unidade vem recebendo, no entanto, uma média de 150 pessoas diariamente, segundo o diretor da emergência, Josué Kardec. O resultado foi a demissão, este mês, de 40% dos pediatras, 17% dos clínicos, 50% dos fisioterapeutas e todos os fonoaudiólogos.
- Fizemos uma readequação, de acordo com a demanda da unidade. Diminuímos o número de pediatras no plantão de cinco para três, além de dois que ficam na rotina. Eram seis clínicos por plantão. Agora, são cinco - diz Kardec.
Na UTI da unidade, que conta com 35 leitos, são quatro plantonistas, além de um intensivista na rotina e outro na coordenação.
Os profissionais que trabalham na CER são contratados pela organização social Sociedade Espanhola.
O programa
O S.O.S Emergências é um programa estratégico do governo federal lançado em 2011 para qualificar o atendimento nas principais emergências no país. Além do Miguel Couto e do Albert Schweitzer (RJ), mais dez hospitais de grande porte, localizados em nove capitais, fazem parte do programa: Belém (PA), Recife (PE), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Brasília (DF), São Paulo (SP), Belo Horizonte (BH), Goiânia (GO) e Porto Alegre (RS). Todos os hospitais selecionados são referências regionais, possuem pronto-socorro e realizam grande número de internações e atendimentos ambulatoriais. A meta é que até 2014 o S.O.S Emergências atinja os 40 maiores prontos-socorros brasileiros, em 26 estados e no Distrito Federal.


Fonte:

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/ministro-anuncia-contratacao-de-hospitais-particulares-para-atender-pacientes-de-emergencias-publicas-do-rio-6879232.html#ixzz2DsS5VgkY

 

Pais acusam hospital de negligência e erro médico em São Gonçalo, no RJ

O pai de um menino de 10 anos denuncia um hospital em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, por negligência e erro médico no atendimento à criança. Como mostrou o RJTV, deste sábado (1º), o caso já foi levado à Defensoria Pública.
Os hematomas no pé esquerdo apareceram no final de outubro. Davidson de Araújo foi atendido no Hospital Infantil Darcy Silveira Vargas, no Centro de São Gonçalo. Após um raio-x, os médicos recomendaram a imobilização do pé.
O garoto voltou para casa, surgiram marcas por todo o corpo. A família resolveu retornar ao hospital e, quando a tala foi retirada, os médicos notaram a infecção.
Uma tomografia, de 8 de novembro, não detecta fissuras nos ossos, mas indica a presença de alterações nos músculos. O exame sugere uma ressonância magnética para melhor avaliação. A ressonância até hoje não foi realizada.
Defensoria Pública
O pai do garoto procurou ajuda na Defensoria Pública, que emitiu cinco ofícios, exigindo com urgência o laudo completo e o prontuário médico. A resposta demorou 20 dias. O documento afirma que o paciente foi submetido à drenagem do abscesso, apresentou boa resposta e aguarda alta.
Mas de acordo com o pai, não houve melhora, e o filho não consegue andar. O menino continua sofrendo com dores e febre alta. Davidson, que completa 11 anos no domingo (2), está internado há um mês no hospital.
Segundo a família, dois pediatras já pediram a transferência do garoto para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, no Rio de Janeiro.
A administração do hospital não se pronunciou sobre a denúncia do pai de Davidson.
A Defensoria Pública informou que, em caso de desobediência, os defensores podem entrar com uma ação na justiça. Mas, apenas na segunda-feira (3), vai ser possível analisar o caso específico do hospital infantil.

Fonte G1 : http://glo.bo/TtIZsx

Criança é levada a UPA com garganta inflamada e quase amputa a perna

O que poderia ser uma simples ida ao médico em busca de tratamento para o filho de 4 anos para uma infecção de garganta se tornou um pesadelo para a dona de casa Angélica Soares da Silva Amorim, de 23 anos. Após tomar uma injeção de antibiótico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São João de Meriti, o pequeno Luiz Miguel passou a sentir reações estranhas e, em menos de 24 horas, corria o risco de amputar a perna direita.

Em 26 de outubro, Angélica levou o filho ao médico pela primeira vez para uma consulta, pois o menino estava com a garganta inflamada. Cinco dias depois, após tomar a medicação e não apresentar sinais de melhora, ela resolveu retornar à UPA do município.
“A médica me disse que era para continuar com a medicação em casa e que ela ia passar um antibiótico e que no dia seguinte ele ia estar bonzinho. Cheguei a perguntar se não tinha nenhum problema em função de alergias ao medicamento. Ela disse que não, que hoje em dia isso não acontecia mais e que atualmente não se faz mais o teste para ver se a criança tem alergia”, lembra Angélica.
Acreditando ser o melhor para o filho, ela concordou e deixou que aplicassem a injeção na criança. Segundo a mãe, apesar de saber que a injeção dói bastante durante a aplicação, o menino não pareceu sentir muitas dores nesta hora. “Assim que saí da sala e cheguei na recepção, ele começou a gritar que a barriga dele estava doendo e, em seguida, que a perna direita estava doendo muito. Eu colocava ele em pé e ele caía no chão”, diz Angélica.
Médica disse para a mãe que criança estava com 'manha'
De acordo com a mãe, apenas depois de uma hora a médica retornou para ver Luiz Miguel e, depois de examiná-lo, o colocou em observação. “Ela me disse que ele devia estar daquele jeito por ser a primeira vez que tomava a injeção e que acreditava que ele estava com um pouquinho de manha”.
Angélica com a filha de 2 anos no colo (Foto: Janaína Carvalho)Angélica com a filha de 2 anos no colo
(Foto: Janaína Carvalho)
Como toda mãe, ela não dormiu aquela noite e ficou monitorando o filho. Segundo Angélica, nenhum pediatra apareceu para ver como a criança estava durante a madrugada. Pela manhã, ao perceber que o pé do filho estava ficando amarelo e que a batata da perna e o pé estavam gelados, ela foi procurar a médica.

“A resposta que me deram foi que ele realmente tinha perdido um pouco do movimento e que não sabiam explicar o que tinha acontecido”, disse Angélica, afirmando que talvez todo o problema tivesse sido evitado se o filho tivesse recebido o atendimento adequado de imediato. Segundo ela, o conselho que recebeu na unidade foi que procurasse um hospital geral.
Foi terrível ver meu filho com a perninha toda aberta, naquele estado. Na hora dos curativos, mesmo ele estando sedado, ele gritava de dor"
Angélica Soares
Em nota, a secretaria municipal de Saúde de São João de Meriti informou que abriu sindicância para apurar o caso, mas que o resultado ainda não ficou pronto porque aguarda o relatório médico final sobre o diagnóstico e a evolução do quadro clínico da criança. A família de Luiz Miguel disse que pretende processar a prefeitura do município.

'O que ouvi naquele momento me deixou em choque'

Assim que chegou ao Hospital Adão Pereira Nunes, também conhecido como Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Angélica afirma que não foi dada a devida atenção à situação do menino. “A enfermeira disse que o caso dele não era caso de emergência, que teria que passar pela triagem normal. O médico examinou, enfaixou a perninha dele e o deixou jogado”.

Quase 24 horas depois de ter tomado a injeção na UPA de São João de Meriti é que Miguel foi operado. De acordo com Angélica, assim que a cirurgiã vascular olhou para a perna e o pé do menino, disse que precisaria fazer uma cirurgia de emergência. “O que ouvi naquele momento me deixou em choque. Ela disse que meu filho estava fraco, mas se não fosse operado naquele momento ele correria o risco de perder a perna”, lembra a mãe, ressaltando que daquele momento o menino foi levado direto para a sala de cirurgia e depois para o CTI, onde ficou 25 dias.
Miguel já foi submetido a duas cirurgias, mas ainda deve ser submetido a outras duas. Na primeira cirurgia foi retirado o tecido morto da batata da perna, deixando buracos nesta parte do membro da criança. Três dias após, a mesma coisa aconteceu na parte das nádegas onde o menino tomou a injeção e ele teve que fazer uma nova operação. “Praticamente a perna do meu filho toda tinha tecido morto”.

Nos próximos dias, uma nova cirurgia será realizada no pé de menino, onde os médicos avaliarão se há ou não a necessidade de amputar dois dedos. Uma quarta cirurgia será realizada para retirar tecido da perna esquerda e enxertar nas nádegas, na coxa e na batata da perna direita.

Mesmo sedado menino gritava de dor
“Fiquei em estado de choque. Como pode um negocinho tão simples, uma dor de garganta que toda criança tem, levar a uma situação dessa. Foi terrível ver meu filho com a perninha toda aberta, naquele estado. Na hora dos curativos, mesmo ele estando sedado, ele gritava de dor".

De acordo com a mãe, os médicos do Hospital de Saracuruna ainda não souberam explicar qual foi o erro cometido na UPA de São João de Meriti, se a enfermeira atingiu uma artéria ao aplicar a injeção ou se o medicamento da injeção estava contaminado. “Eles não sabem explicar, mas eles sabem que as lesões foram causadas pela injeção”, afirma a mãe, que foi informada que só receberá um laudo médico após a alta hospitalar da criança.

Na segunda-feira (26), Luiz Miguel saiu do CTI pediátrico, o que deixou a mãe feliz, mas que não, necessariamente, significa o fim dos problemas. “Evito falar as coisas perto dele agora. Ele já entende e fica perguntando se vai poder andar e brincar como antes. Eu não sei o que responder”, afirma a mãe, ressaltando que ainda não sabe quais serão as sequelas físicas e emocionais que seu filho terá.

Para ela, que tem uma filha caçula de 2 anos, dá para pensar duas vezes antes de levar um filho ao médico daqui para frente. “Sempre fui o tipo de mãe que nunca quis automedicar o filho. Preferia levar ao médico mesmo em casos de uma simples dor de garganta. Agora não sei, confesso que dá medo”. Depois de quase um mês dormindo na cadeira do hospital ao lado da cama do filho, Angélica foi pela primeira vez em casa nesta sexta-feira (30).

Fonte g1:      http://glo.bo/Yi4CTY